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Loja de fantasias mais tradicional do Rio, Casa Turuna completa 99 anos

Por  | Para: CBN Foz

Os foliões mais tradicionais ou as pessoas que costumam frequentar a Saara, região de comércio popular do Centro do Rio de Janeiro, conhecem bem a mais tradicional casa de venda de fantasias do Rio de Janeiro, a Casa Turuna. O que muitos não conhecem talvez seja a longevidade do estabelecimento que, este ano, completa 99 anos.

A casa Turuna surgiu em 1915, da iniciativa de dois imigrantes portugueses. Apesar de investirem em tecidos e outros artigos para casa, as fantasias eram o destaque principal da loja. Isso, provavelmente, se devia à localização do estabelecimento: a Praça 11, lugar tradicional no desfile de cordões carnavalescos no começo do século 20. O nome Turuna surgiu graças ao bloco dos Turunas, que desfilava na região. O nome pegou porque um dos donos da loja também tinha o apelido de "Turuna", que significa valentão, de acordo com o vocabulário da época.

A proximidade entre as famílias dos dois imigrantes portugueses fez com que o filho de um dos sócios se casasse com a filha de outro, tornando a loja um empreendimento familiar, como permanece até hoje. Além da Praça 11, a Casa Turuna passou pela Rua da Alfândega até chegar ao local que ocupa desde a década de 40, na esquina da Rua Senhor dos Passos com Avenida Passos, na Saara.

“O carnaval é onde está a tradição da loja. A gente vende tecidos e fantasias durante ano todo, mas o forte é o carnaval. É onde há a tradição dela”, afirma Marcelo Servos, bisneto dos fundadores.

O proprietário da loja afirma que o carnaval está mais democrático, e os foliões podem vestir o que desejarem, sem se apegar a modismos. “Ainda bem que não se vende uma fantasia porque é moda, como tivemos a Tiazinha, o Tiririca, a Loira do Tchan. Hoje, o importante é a variedade. O que é bom para o folião e para o comerciante também”, explica.

Servos não se arrisca a pontar uma tendência para o carnaval de 2014: “A gente vende de presidiário, de marinheira, de pirata, de colombina, vende de melindrosa, que voltou forte. Vende também de anos 60. A gente vende a variedade. E é a variedade que faz a casa.”

Fantasias em exposição na Casa Turuna (Foto: Cristina Boeckel/G1)Fantasias em exposição na Casa Turuna (Foto: Cristina Boeckel/G1)

Loja faz parte de histórias familiares
Entre os frequentadores do lugar, não faltam histórias que atravessam o tempo. A enfermeira Ana Lúcia Pires buscava fantasias de policial ou pirata para a filha, de 18 anos, ir a uma festa à fantasia. A adolescente é a terceira geração da família a frequentar a loja. A mãe de Ana Lúcia costumava levá-la ao local. “Eu conheço a Turuna há, pelo menos, 30 anos. A minha mãe frequentava a casa para comprar fantasias para mim.”

Ela não titubeia na hora de responder quais foram as primeiras fantasias que teve do local: “Baiana e cigana. Eu tinha um aninho, mais ou menos”.

O jornalista Laís Amaral mora em Resende, mas não abre mão de ir à Casa Turuna antes do carnaval. Desde criança, ele procura lá a inspiração para suas fantasias.

“Lá onde eu moro, o pessoal reclama que eu saio sempre de caveira. E eu estava querendo ver se, este ano, eu encontrava uma caveira de cor diferente ou uma outra coisa, para diferenciar”, conta o jornalista.

Os professores Robert Chaya e Rosângela Teixeira levaram a filha Ana Carolina para, pela primeira vez, comprar fantasias na Casa Turuna.  “Eu conheço este lugar há mais de 20 ou 30 anos.” afirma Robert. “Aqui tem coisas que, às vezes, você pode usar até fora do carnaval” completa Rosângela.

Casa Turuna completa 99 anos em 2014. (Foto: Cristina Boeckel/G1)Casa Turuna completa 99 anos em 2014. (Foto: Cristina Boeckel/G1)

 

Alterações no trânsito podem prejudicar negócios
Após 99 anos de história, a sucessão familiar na Casa Turuna deve parar em Marcelo Servos. A família tem apenas um sobrinho, que não se interessa pelo trabalho no comércio. Ele acredita que, após sua aposentadoria, a loja fechará ou será vendida. Quando perguntado se a tradição pode ser interrompida, ele é categórico: “Com certeza. Ou alguém comprar e continuar. Mas eu acho que não na família.”

As recentes alterações no trânsito do Centro do Rio de Janeiro também preocupam a família que gerencia a Casa Turuna. O fechamento da Perimetral, a redução das vagas de rua e os preços cada vez mais altos dos estacionamentos particulares são fatores que podem prejudicar as compras dos foliões. “Os comerciantes da área estão muito preocupados. Na Rua Buenos Aires os consumidores paravam os carros, compravam e colocavam tudo dentro. Hoje eu não sei como vai ser”, diz Servos.

Os foliões podem fazer as compras até o final da tarde do sábado de carnaval. Depois disso, a loja só reabre as portas na quinta-feira seguinte. Assim, durante os festejos de Momo, os funcionários que vendem fantasias o ano inteiro vão se juntar os consumidores pelo Rio de Janeiro.


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