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Alunos levam arte do grafite para muros das escolas em Rio das Ostras

Por  | Para: CBN Foz
Alunos apreenderam a grafitar e utilizaram a técnica fazendo painéis nos muros das escolas (Foto: Maurício Rocha / Divulgação)Alunos apreenderam a grafitar e utilizaram a técnica fazendo painéis nos muros das escolas
(Foto: Maurício Rocha / Divulgação)

Cerca 200 alunos da Rede Municipal de Rio das Ostras, no interior do Rio, aprenderam uma nova arte no segundo semestre de 2013. Eles transformaram os muros de oito escolas em grandes painéis que levam uma mensagem de paz. Tudo isso aconteceu graças às oficinas de Desenho e Introdução ao Grafite, com aulas teóricas e práticas ministradas por Marlon Muk, referência nessa técnica artística na região.

Ao concluir o painel em um dos muros externos da Escola Municipal Francisco de Assis Medeiros Rangel, no Parque Zabulão, três alunos do 9º ano do Ensino Fundamental ressaltaram a importância das oficinas. “Queria muito aprender a técnica e lembro que um dia vi Marlon Muk grafitando aqui na cidade e parei para conversar com ele. Aprendi muito com ele”, conta Jorge Medeiros, de 15 anos.

Felipe da Silva, de 16 anos, admirava a técnica artística, mas jamais imaginou que aprenderia a grafitar. “Alguns amigos, como o Jorge, gostavam dessa arte e eu só ficava vendo o trabalho deles, sem ter coragem de tentar. Um dia resolvi fazer algumas letras e todos elogiaram. Isso me incentivou a participar das aulas do Marlon”, relembra.

Apaixonado por desenho, Marcelo Souza, de 15 anos, chegou a fazer um curso de mangá na Casa de Cultura. Mas não pensava que os desenhos que fazia a lápis no caderno ganhariam as ruas da cidade. “A cidade fica mais bonita e colorida com o grafite . Sem falar que podemos levar uma mensagem de paz”, enfatiza ele.

O grafiteiro Marlon Muk, ao lado das educadoras Madelaine e Marcilene, acompanhou o trabalho dos alunos (Foto: Maurício Rocha / Divulgação)O grafiteiro Marlon Muk acompanhou o trabalho dos
alunos (Foto: Maurício Rocha / Divulgação)

Trocando a pichação pelo grafite
Alguns alunos que hoje se dedicam ao grafite antes tentavam se expressar por meio da pichação. O artista das ruas Marlon Muk, responsável por painéis que conquistaram os moradores da cidade, como o dedicado a Vinicius de Moraes, compreende perfeitamente quais são as motivações desses adolescentes.

“Na idade deles, eu também queria deixar a minha marca de alguma forma e, como não sabia como, pegava uma caneta e escrevia o meu nome na parede. Quando descobri o grafite, percebi que havia um jeito muito melhor de me expressar, levando beleza e colorido aos muros”, recorda o grafiteiro com 16 anos de experiência nessa arte.

Marlon, que na época morava em Macaé, conta que se deslocava até o distrito de Alcântara, em São Gonçalo, para ter aulas e participar de oficinas com duas das maiores referências de grafite no Estado do Rio: Fábio Ema e Marcelo Eco. Hoje, Marlon, que está concluindo o curso de Publicidade e Propaganda, se orgulha por viver exclusivamente do seu trabalho como grafiteiro.

Como instrutor de adolescente, ele se preocupa em valorizar a contribuição de cada um. No mural desenhado em conjunto, cada um deixou a sua marca. Marcelo, por exemplo, que é bodyboarder, desenhou uma pessoa pegando onda. “Aqui eles também aprendem geometria, perspectiva, desenvolvem a coordenação motora”, enumera.

Alunos apreenderam a grafitar e utilizaram a técnica fazendo painéis nos muros das escolas (Foto: Maurício Rocha / Divulgação)Os alunos ficaram orgulhosos pelo resultado
(Foto: Maurício Rocha / Divulgação)

Cultura de paz
As aulas de grafite integram o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência, da Secretaria de Educação, coordenado por Madelaine Pinheiro e Marcilene Gordo. A iniciativa acontece por meio de adesão da unidade de ensino e, neste semestre, foi realizada nas escolas municipais Cidade Praiana, Fazenda da Praia, Fazendas Reunidas Atlântica, Francisco de Assis Medeiros Rangel, Maria da Penha de Oliveira e Maria Teixeira de Paula.

Ao todo são 16 turmas, cada uma com até 15 alunos, totalizando 195 participantes. Por meio dessas oficinas, os estudantes desenvolvem habilidades ao mesmo tempo em que se conscientizam sobre as práticas de não violência e o respeito ao patrimônio público. A diretora da escola Francisco de Assis, Maria das Graças Tavares, afirma que o projeto mudou a conduta de alguns estudantes.

“Sofríamos com as pichações e começamos um trabalho de conscientização, mobilizando pais e comunidade, que foi concluído com um grande mutirão de limpeza e pintura. Com as aulas de grafite, nossos estudantes aprenderam que podiam se expressar por meio da arte e passaram a cuidar mais do ambiente em que estudam”, contou.

 


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