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Não fazemos para fãs, diz criador de 'Sherlock' e roteirista de 'Doctor Who'

Mark Gatiss durante palstra para fãs no Rio, em 14 de março (Foto: BBC/Ana Colla)Mark Gatiss durante evento com fãs no Rio, em 14 de março (Foto: BBC/Ana Colla)

Quando criança, Mark Gatiss tinha duas paixões: histórias de detetive escritas por Sir Arthur Conan Doyle e a série de TV da BBC sobre um alienígena que viajava através do tempo e do espaço. Hoje, aos 47 anos, ele é conhecido como Mycroft Holmes, irmão do protagonista de "Sherlock", série criada por ele e o produtor escocês Steven Moffat.

É também um bastante requisitado roteirista, ator e narrador de "Doctor Who", seriado que para ele "foi uma influência de muitas formas". "Sempre foi meu programa favorito e eu costumava assistir aos créditos por que tinha um interesse genuíno em quem o fazia", explica Mark Gatiss ao G1. O produtor, roteirista e ator esteve no Brasil para o Rio Content Market e encontros com fãs das duas séries, no Rio e em São Paulo. A fila para sua palestra reuniu mais de 500 pessoas e começou a se formar às cinco da manhã.

Mark Gatiss em 'The Lazarus experiment', episódio de 'Doctor Who' (Foto: Divulgação)Mark Gatiss na série 'Doctor Who' (Foto: Divulgação)

Embora hoje seja mais associado a "Sherlock", a série dramática britânica de maior audiência desde 2001, a relação de Gatiss com "Doctor Who" é mais intensa do que muitos imaginam. Além de escrever livros, narrar especiais e programas de rádio – já interpretou o Doctor e seu maior rival, o Mestre – atuou em dois episódios na TV e escreveu o roteiro de "An adventure in space and time", filme sobre os 50 anos do programa. Já escreveu histórias para sete das 11 versões do personagem e se prepara para somar mais um. "Estou escrevendo para Peter Capaldi. Aliás, dois episódios. E bem aqui, neste mesmo hotel em que estamos", conta durante a entrevista.

Foi também graças a "Doctor Who" que ele conheceu Moffat, tão fã de Sherlock Holmes quanto ele. E aprendeu algo que aplicam em seu programa: não ceder às pressões de fãs, por mais obsessivos que sejam. "A maioria das pessoas assiste 'Sherlock' e 'Doctor Who' uma vez. Elas assistem, se você tiver sorte, quando estão de saída para o pub, cozinhando. A maioria simplesmente vê TV assim. E se você os prende é ótimo. Mas não fazemos isso pelos fãs", resume.

 
Em 'Sherlock', até personagens que não estão na história original são permitidos, embora esse não fosse o plano inicial

Essa falta de pressão é essencial para evitar um "sufocamento", segundo ele, que garante que a única coisa realmente intocável em "Doctor Who" é o próprio Doctor, que sempre precisa ser "o cara bom" e vencer no final. "Lógico, a primeira coisa que todos devemos nos lembrar é de que o programa é, em princípio, para crianças. Então você quer ser assustador, mas tem que ter um limite seguro. Fora isso, as únicas restrições seriam aquelas do tipo cortar coisas pelas quais não podemos pagar. É difícil fazer grandes planetas alienígenas por que eles custam caro", lamenta.

Já em "Sherlock", até personagens não criados por Conan Doyle são permitidos, embora esse não fosse o plano inicial. A mudança veio graças à personagem Molly Hooper (Louise Brealey, que vive uma funcionária de um necrotério) e seguiu com os pais de Sherlock, vividos pelos pais de Benedict Cumberbatch na vida real. "Iremos trazer mais gente. Criamos uma espécie de família, com esse elenco, e se tornou natural que ela comece a se expandir. Molly nunca apareceu nos livros, mas o público a adora. E acho que o Sr. e a Sra. Holmes jamais foram vistos, então é empolgante brincar com essas coisas. E, claro, a irmã de John Watson tem sido mencionada e ela anda meio que à espreita em algum lugar", diz, rindo.

Mark Gatiss e Benedict Cumberbatch em 'Sherlock' (Foto: Divulgação)Mark Gatiss e Benedict Cumberbatch em 'Sherlock'
(Foto: Divulgação)

A morte de Sherlock
Gatiss escreveu o primeiro episódio da terceira temporada, no qual supostamente Sherlock Holmes explicaria como simulou sua morte. A resposta, porém, não foi tão clara assim. "A resposta está lá. A questão é que sempre tivemos consciência de que isso se tornaria uma enorme discussão e de que a única coisa que não poderíamos fazer seria simplesmente dizer 'ele fez assim'. Seria muito sem graça! No final, a parte divertida é adivinhar, não é? Assim que você tem a solução... é como um incrível truque de mágica. Você não quer saber realmente como ele acontece", despista. "Espero que vocês possam realmente debater isso. Apresentamos uma versão que se pode aceitar". Ainda no campo das grandes explicações, ele sabe que terá que lidar com mais uma na próxima temporada, que não deve estrear antes de 2016. "Bem, sempre teremos alguma coisa para explicar. Isso já está estabelecido a essa altura", admite.

Na verdade, ele menciona a tal questão antes que se pergunte, ao falar sobre possíveis novos vilões tão marcantes quanto Moriarty (Andrew Scott) ou Magnussen (Lars Mikkelsen). "É uma boa pergunta. Conan Doyle tem muitos deles, sabe? O Dr. Grimseby Roylott, do conto 'The adventure of the speckled band' é uma figura tão assustadora e intimidante. Há também uma história brilhante chamada 'The dying detective' com um cientista... não sei. Homem ou mulher, o que for. Sempre haverá uma grande ameaça prestes a surgir. É divertido especular. Mas não precisa ser sempre alguém do porte de Moriarty para funcionar. E, de qualquer forma, como você sabe, ele ainda...", diz, sem completar a frase.

Mas, apesar de tanta autoconfiança e da longa carreira como ator – que em breve incluirá uma participação em "Game of Thrones", no papel de Tycho Nestoris – Gatiss admite que não foi dele a ideia de interpretar o irmão mais velho, e talvez até mais inteligente, de Sherlock Holmes. "Mas foi uma decisão fácil. Eu estava fazendo testes para interpretar um político chamado Peter Mandelson e Mycroft tem esse ar meio obscuro, de quem age nos bastidores. Um dia, eu tinha acabado de sair do teste, estava conversando sobre o assunto com Steve e ele me disse que eu deveria interpretar Mycroft. Respondi que 'não, não poderia de forma alguma', mas então fui convencido (risos)", revela.


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