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Moradores passeiam de barco em bairro alagado de Porto Velho

Para evitar que água entre em casa, moradores constroem 'barreiras'.
'Não compro nada para casa com medo de perder de novo', diz moradora.

Larissa MatarésioDo G1 RO

"Já perdi tanta coisa nesses 20 anos que moro aqui que não tenho mais coragem de comprar móveis para a minha casa com medo de perder na próxima enchente", relata Cláudia Regina, moradora do Bairro Cohab Floresta, em Porto Velho. Regina e outros moradores da Rua Telã e Aroeira reclamam do problema que sempre existiu, mas que vem se agravando nos últimos três anos.

Morador do Bairro Cohab Floresta há 26 anos, o policial militar aposentado Hamilton Siqueira mandou através do VC no G1 fotos de como fica a situação do cruzamento entre as ruas Telã e Aroeira em dia de chuva. "É horrível, a rua fica completamente alagada, a água chega a mais da metade dos carros. E as ondas que formam quando os veículos passam faz com que entre mais água ainda em casa", completa o morador. Na chuva da última semana, quando a rua ficou novamente alagada, os moradores colocaram um barco na rua para mostrar a intensidade do problema.

"Quando foram passar o asfalto na rua e construir os bueiros, a prefeitura nem se deu ao trabalho de desentupir as manilhas antigas. Todo mundo viu que elas estavam entupidas, cheias de terras. Foi nesse período que o problema começou a se agravar", explica. Os próprios moradores se juntaram e financiaram o aumento dos bueiros para que alargasse a passagem de água no cruzamento das ruas.

Cruzamento entre as ruas Telã e Aroeira, no Bairro Cohab Floresta, tem problemas com alação. Moradores reclamam que a situação tem piorado nos últimos três anos (Foto: Hamilton Siqueira/ Divulgação/ VC no G1)
Cruzamento entre as ruas Telã e Aroeira, no Bairro Cohab Floresta, tem problemas com alação. Moradores reclamam que a situação tem piorado nos últimos três anos (Foto: Hamilton Siqueira/ Divulgação/ VC no G1)

Muros na porta
Quatro guarda-roupas, um computador, duas camas, colchões, estantes e até uma geladeira estão na conta dos prejuízos somados por Cláudia Regina nas últimas alagações no bairro. "Em todo período chuvoso é a mesma coisa, uma chuvinha mais forte e tudo fica alagado. Perdi as contas de quantas vezes eu aterrei o meu terreno tentando impedir a chuva de entrar", relata.

Foram tantos aterros, que o nível da janela da casa de Cláudia é o mesmo do portão. Para entrar em casa ela se arrisca descendo um degrau que se formou na casa por conta da quantidade de terra que foi colocada no terreno. "O problema é que agora a água começou a entrar pela janela. Não vejo a hora do tempo estiar para poder derrubar esta casa e construir outra", diz Cláudia.

Dina Sena também aterrou o terreno em que mora e construiu um degrau a mais na porta de casa para evitar perder mais móveis. O marido dela marca no poste em frente à casa a altura que a água atingiu nas últimas enchentes.

Cláudia Regina aterrou tantas vezes o seu quintal para tentar impedir a água de entrar, que o batente da porta está muito abaixo do terreno (Foto: Larissa Matarésio/G1)
Cláudia Regina aterrou tantas vezes o seu quintal para tentar impedir a água de entrar, que o batente da porta está muito abaixo do terreno (Foto: Larissa Matarésio/G1)

Vitorino Lopes e Alan Rodrigues do Nascimento também cansaram de ter a casa invadida pela água quando chove. Para evitar prejuízos maiores, muraram um dos lados da casa, aumentaram a altura da manilha do poço artesiano e construíram uma barreira com tijolos na porta de casa. "Infelizmente não tem adiantado muito, o nível da água na última chuva no dia 23 de dezembro atingiu o dobro da altura do degrau que construíamos na porta", conta Vitorino.

Vitorino construiu uma barreira com tijolas para impedir a água de entrar em casa, mas na última alagação a enchente atingiu o dobro da altura da barreira (Foto: Larissa Matarésio/G1)
Vitorino construiu uma barreira com tijolas para impedir a água de entrar em casa, mas na última alagação a enchente atingiu o dobro da altura da barreira (Foto: Larissa Matarésio/G1)

Morador do lugar há 15 anos, João da Cruz ressalta que os bueiros construídos não são suficientes para dar vazão à quantidade de água que acumula no período de chuvas. "Como essa parte da rua, entre os cruzamentos é mais baixa, a água desce toda para o mesmo ponto", completa João.

O G1 não conseguiu contato com o secretário de Obras da Prefeitura de Porto Velho para saber se existe alguma ação emergencial para o bairro.

Moradores da rua se juntaram e aumentaram a abertura dos bueiros para tentar amenizar o problema de enchente no local (Foto: Larissa Matarésio/G1)
Moradores da rua se juntaram e aumentaram a abertura dos bueiros para tentar amenizar o problema de enchente no local (Foto: Larissa Matarésio/G1)

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